Porque não querem comer?

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Eu gosto de rotinas e considero-as fundamentais para a tranquilidade e estabilidade das crianças, mas não sou, nem nunca fui, fechada nas rotinas. Acredito na sua importância mas também acredito no quão importante é quebrá-las, fazer exceções, saltar as regras de vez em quando.

Na alimentação, este factor é determinante e, para mim, de todas as causas que levam os miúdos a não querer comer determinados alimentos ou a fazer birras na hora das refeições é uma das causas que mais  sentido faz. Porque são mesmo isso… hábitos. Os pequeno- tes tranquilizam-se com rituais, rotinas e com os hábitos da própria família. No que respeita à nossa dieta, são influenciados pelo que se come todos os dias em casa e que tem também um forte peso cultural. Basta olharmos para os diferentes pequenos-almoços e percebemos imediatamente isto. No nosso país, tendemos a oferecer aos nossos filhos ao pequeno-almoço leite, papas, cereais, iogurtes ou pão. Já nos Estados Unidos optam pelos cereais, pelas panquecas, torradas e ovos. Em Inglaterra, escolhem os ovos, o bacon e o feijão. Em alguns países asiáticos, os garotos comem arroz, legumes e sopa miso ao pequeno-almoço.

Com isto, o que pretendo dizer é que comer bem é também uma questão de rotinas e de familiaridade com os alimentos. O que mais vezes for exposto à mesa será o que mais facilmente o seu filho aceitará.

Além disso, a ordem e o momento em que damos os alimentos aos nossos filhos acaba por se tornar muito importante no processo. É estranho, mas é verdade! E se pensar bem sobre isso, faz sentido. Os miúdos gostam de rotinas e de previsibilidade. Pelo menos, a maioria deles. Cantam a mesma música vezes e vezes sem conta (ou obrigam-nos a cantá-la!). Veem o mesmo desenho animado dezenas de vezes. Querem sempre a mesma história. E fazem o mesmo com a comida. Se o seu pequenino está habituado a lanchar leite com chocolate e madalenas, então vai querer sempre o mesmo para o lanche e vai fazer uma guerra quando lhe oferecer um iogurte com fruta e cereais. Ou se estiver habituado a que lhe ofereça um bolo quando o vai buscar à escola, vai sempre esperar o mesmo (ainda que não fosse essa a sua intenção). E se um dia quiser substituir o bolo por um pedaço de queijo, seguramente vai enfrentar alguma pequena (ou grande) birra.

É, por isso, importante pensar naquilo a que vai, todos os dias, expondo o seu filho em termos de alimentação. Para que ele se vá habituando ao que quer efetivamente que ele coma no futuro.

Conheço muitos pais que tardam demasiado a expor os filhos a diferentes alimentos. Alguns por medo, outros porque seguem religiosamente as recomendações sobre a introdução de novos alimentos. Não digo, de todo, que não o façam, mas se o seu filho for saudável e sentir que ele tem uma alimentação demasiado restritiva, talvez seja boa ideia procurar uma outra ajuda ou conselho e começar a expô-lo a diferentes texturas, cores e sabores. Quanto mais cedo o fizer – dentro das normas de segurança – melhor ele irá comer no futuro.

(mais dicas em “Comer sem Birras”, ed. Manuscrito)

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