Dicas para bebés que não gostam de colher

Capa Comer sem Birras
Iniciar a diversificação alimentar nos nossos bebés pode não ser fácil. Há pequeninos que não gostam da colher. Outros que nem sabem ainda o que fazer com ela. E muitos que a recusam.

Os dias não são todos iguais e os bebés também não. A nossa paciência, a nossa consistência e tranquilidade são essenciais para que este processo corra bem. Daí que, quando as mães me procuram com bebés de seis meses que encaram a colher como um instrumento de tortura, costumo recomendar as seguintes dicas:

  • Lembre-se de que mamar implica não só alimento mas também contacto, mimo, calor e conforto. O quentinho do colo da mãe não está presente quando os sentamos numa cadeira e lhes oferecemos uma sopa com colher. E, por isso, há bebés que podem não gostar de ser alimentados com uma colher por ser uma mudança demasiado grande na forma como comem: deixa de ser um momento de conforto e de toque para um momento quase mecânico. Daí que, por vezes, pode ajudar pegar no seu bebé ao colo, juntá-lo bem ao seu corpo e oferecer a comida de colher desta forma, em vez de o sentar numa cadeira. Se não lhe der jeito ou se o bebé for bastante mexido (aquelas mãozinhas conseguem chegar a sítios inacreditáveis e com uma mísera colher de sopa conseguem sujar-se do cabelo aos pés), pode optar por sentá-lo numa cadeira/espreguiçadeira e dar-lhe a mão enquanto ele come.
  • Enquanto os bebés mamam em exclusivo, colocam instintivamente a língua para a frente. Quando são alimentados com a colher, são obrigados a perder esse reflexo e a aprender que a língua deve manter-se na parte de trás da boca. Esta é uma aprendizagem que têm de fazer e nem sempre conseguem perceber esse mecanismo assim que lhes oferecemos alimentos com colher. Se estiver a ser demasiado complicado, pode experimentar molhar o seu dedo (ou o dedinho do bebé) na sopa ou na papa e deixá-lo chuchar no seu dedo nas primeiras tentativas.
  • Antes de iniciar a introdução da diversificação alimentar, assegure-se de que o bebé está preparado. Pressionar ou obrigar um bebé que é muito pequeno ou simplesmente não está preparado para começar a introdução da diversificação alimentar pode tornar a alimentação algo bastante frustrante para si e para ele. Se, sempre que tenta, nota que é um processo demasiado moroso e que termina com o bebé a chorar, talvez seja boa ideia parar por uns dias. Não é um retrocesso. É apenas um compasso de espera para que as coisas corram melhor quando se recomeçar.
  • Sorria, cante, converse com o bebé e prove até a sua comida (ou finja provar!) à sua frente enquanto lhe dá a sopa ou a papa. Isso torna o momento da refeição descontraído e fará com que o seu bebé queira imitá-la.
  • Escolha a melhor hora para oferecer novos alimentos ao bebé. Se ele estiver cansado ou com demasiada fome, comer com a colher pode ser um desafio ainda maior. Ele não vai ter paciência para todo o processo e a sopa tem uma maior probabilidade de cair em todo o lado, exceto no local onde queria: na barriguinha do seu filho.
  • Não compare o seu bebé com outros. Eu sei, eu sei que é inevitável: «Porque é que o filho da minha amiga, que tem exatamente a mesma idade que o meu, come com satisfação e até dá guinchinhos de alegria sempre que vê a colher e o meu fecha a boca de uma forma que nem o ar lá entra?» Os bebés desenvolvem-se ao seu próprio ritmo e acabam por chegar a todas as diferentes etapas de desenvolvimento… mas no seu tempo. Demorar mais ou menos a conseguir comer (ou a virar-se ou a gatinhar…) não é um reflexo direto da sua inteligência ou das suas capacidades. Dê-lhe tempo e tenha paciência. Por vezes, é preciso mesmo uma dose grande. Mas se lhe der tempo, não o apressar ou forçar, um dia – do nada – as coisas acontecem.
  • Se oferecer comida à colher não estiver mesmo a resultar ou se quiser tentar novas opções, pode experimentar informar-se sobre o Baby Led Weaning. É uma técnica que incentiva a autonomia do bebé às refeições e que é bastante diferente da forma habitual de introdução da diversificação alimentar pois não privilegia os purés, nem as papas, nem os alimentos esmagados. A comida é oferecida picada e cortada em formas e tamanhos que eles sejam capazes de segurar com as mãos e levar à boca. Assim, a criança vai comer o que quiser, ao seu ritmo e sem pressão por parte dos pais.

E por aí? Como está a ser ou como foi a introdução da diversificação alimentar?

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