Não obrigue a comer. Mas não desista ao primeiro “não”!

Young boy holds hand on his mouth to stop eating

 

A regra deve sempre ser «não tens de gostar, mas tens de experimentar!»*.

(* regra de ouro de Karen Le Billon, autora do  livro “As crianças francesas comem de tudo”).

Se o seu filho não estiver com fome, não o obrigue a comer. Eu sei que passamos horas à mesa neste jogo de paciência. Mas não o faça. Por outro lado, se ele não tem fome (ou diz que não tem) e não come muito da refeição que lhe deu, então não lhe dê mais nada para comer antes da próxima refeição. E é exatamente aqui que quase sempre nos espalhamos ao comprido!

Os nossos pequenotes podem nem estar com fome e não querer comer. Ou podem estar a tentar exercer o controlo que têm (praticamente a única situação na vida em que têm mesmo controlo) e apenas não comem para fincar pé e marcar uma posição. Não importa a razão.

O que acontece frequentemente é que não comem à refeição, mas depois quando nos pedem pão, bolachas, queijo ou fruta, nós damos imediatamente, esfregando as mãos de contentes porque ao menos estão a pedir comida. Todos os nossos alarmes que estavam a tocar desde aquele almoço que ele recusou se calam por breves instantes enquanto assistimos extasiadas e loucas de emoção a uma boquinha que se abre para lá enfiar uma bolacha. O problema? Acabamos por substituir refeições por petiscos. E quase temos um novo ataque cardíaco quando chega o jantar e o pequenote não come nada novamente. Na nossa cabeça, já esquecemos os snacks que ele comeu à tarde pois não os contabilizamos como uma refeição. Afinal de contas, «foi tão pouco!», e tocam de novo os alarmes assim que ouvimos a primeira recusa do jantar.

Por isso lhe digo: não o obrigue a comer, mas não lhe ofereça comida assim que ele a pedir se já tiver passado a hora da refeição. É importante não obrigar constantemente uma criança a comer. Da mesma forma que não deve insistir para que coma tudo o que tem no prato.

Esta é daquelas coisas que normalmente, mesmo sem pensar, esperamos dos nossos filhos. Ou que os avós esperam dos netos. Se não comerem até rebentar é porque comeram pouco, são uns «piscos» ou «coitadinhos, não comem nada». Muitas vezes só reparamos que estamos cheios tarde de mais. Como comemos quase sempre demasiado depressa, a sensação de saciedade chega um pouco desfasada da hora real e faz-nos ficar muito cheios. Com os miúdos, isto é muito fácil de acontecer principalmente porque os pais os distraem enquanto comem com televisão, tablets e malabarismos. Lembre-se de que é importante respeitar uma criança que nos diz que está cheia. Que não quer mais. Mesmo que achemos que não comeu o suficiente. Se insistimos constantemente para alguém comer sempre mais um pouco, podemos criar nessa pessoa aversão à comida. Ou podemos fazer com que essa pessoa não aprenda a estar atenta aos sinais do seu próprio corpo. Para se balizar… o estômago do seu filho é mais ou menos do tamanho do punho dele fechado. Está a ver o tamanho? Acha mesmo que lá cabe sem esforço a sopa carregada de legumes, o prato e a fruta toda que pretende dar-lhe ao jantar?

Além de tudo isto, e como é normal, o apetite dos pequeninos não é o mesmo a todas as refeições e todos os dias. Há momentos do dia – devido a uma enorme variedade de fatores como a atividade física, o sono que tem ou o que comeram na refeição anterior – em que simplesmente terão menos fome. E isso, uma vez mais, deve ser respeitado.

Por isso lhe digo que não deve obrigar a comer nem compensar com petiscos as falhas nas refeições, mas também não deve desistir ao primeiro «não». Com os miúdos, muitas vezes o «não» não significa mesmo «não». Significa quase sempre «agora não» ou «ainda não». Pesquisas e estudos mostram que pode demorar dez a quinze tentativas até uma criança pequena aceitar um novo alimento . Por isso não há necessidade de forçá-la a comer de cada vez que lhe apresenta o prato. Se ela não quiser, tudo bem. Ofereça-lhe outra vez e outra vez e outra vez.

Obrigar não, mas desistir também não!

Trackback from your site.

You might also like

Leave a Reply