Vale a pena ensinar o nosso filho a comer?

5-6 years old boy and plate of cooked vegetables isolated on white

Se, antes de sermos mães, achamos que alimentar um filho é tarefa fácil, depois de termos filhos ficamos muitas vezes chocadas com o difícil que é alimentar as crianças e como o jantar se pode transformar num cenário de guerra, com pais a implorar aos filhos para que comam e com filhos a fazer birras e a rejeitar todas as suas tentativas.

Ninguém quer que as refeições se tornem um momento de stresse. Todos queremos aproveitar o tempo que temos com os nossos filhos da melhor forma, porque passar uma hora a obrigá-los a comer três garfadas não é o que idealizamos para brincadeira de final de dia. Por isso, as mães que me procuram acabam muitas vezes por ceder e oferecer aquilo que sabem que os filhos comem sem fazer guerra. Os dias passam, as semanas e os meses também e, em pouco tempo, perde-se completamente o controlo do que os miúdos comem.

Mas a nossa responsabilidade enquanto pais é (ou deveria ser) providenciar uma variedade de alimentos saudáveis que incluam os vários grupos alimentares e limitar o consumo de doces, refrigerantes e comida rica em gordura. É também parte do nosso trabalho começar a ensinar boas escolhas aos pequenos para que, quando não estivermos por perto – por exemplo, quando eles estiverem na escola (sim, porque nós não estamos sempre de olho!) –, tenham uma base que os possa guiar nas suas escolhas. E acredite que isso acontece! Quando as crianças se habituam a determinados tipos de alimentos, continuam a optar por eles mesmo que não esteja- mos presentes. Podem fazer umas malandrices e comer três brigadeiros de seguida, mas, regra geral, acabam por optar pelo que lhes é familiar.

É igualmente importante ensinar-lhes a ter uma relação saudável com a comida. Enquanto mãe/pai, vai querer que o seu filho aprecie as refeições e aprenda a comer as quantidades adequadas de comida de que o seu corpinho precisa e não que ele coma como resposta a sinais exteriores como emoções, ambiente e contexto ou mera proximidade com a comida.

Por isso, a primeira coisa a fazer é perceber o que quer mudar e porquê. Para que tudo se altere, é essencial entender porque sente que este é um problema. É algo que sente que está mesmo a afetar o desenvolvimento e o crescimento do seu filhote? É uma batalha que sente que vale mesmo a pena travar? Se for para aju- dar o seu pequenino a comer fruta e vegetais, acredito que sim, que vale a pena. Porque são grupos de alimentos importantes para a saúde. Mas se for para que ele coma algo específico, como pes- cada ou banana, será que não se trata apenas de um gosto pessoal? Assim sendo, antes de decidir que o seu filho tem um «problema» com a comida, pense primeiro se de facto a forma como o seu filho come é algo que pode comprometer o seu crescimento e desenvolvimento e se afeta a paz e a harmonia em casa. Esqueça o que as pessoas à sua volta lhe dizem e preocupe-se apenas com as situa- ções que são para si um verdadeiro obstáculo à harmonia familiar. Não levante questões dentro da sua ordem só porque alguém de fora veio questionar. No meu ponto de vista, raramente há apenas uma resposta certa e, por vezes, são várias as estradas que nos podem levar à direção que escolhemos. Leia, consulte, pergunte tudo o que sente que é necessário, mas adeque tudo o que aprende às suas próprias convicções e à sua perspetiva de educação e parentalidade.

Porque, no final, somos nós que temos a responsabilidade de educar os nossos filhos.

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