Notícias Magazine – Acabe com o pesadelo de por os filhos a dormir

A corrida dos dias. Distrações eletrónicas. Horários tardios. Maus hábitos. Quaisquer que sejam as razões, pôr as crianças na cama pode ser um pesadelo. Às horas por dormir acrescem problemas emocionais, de atenção, resistência e memória. E se uma história ao deitar for a chave para um final feliz?

Captura de ecrã 2015-10-26, às 11.07.47
O quarto está silencioso e a meia-luz. A cama forrada com lençóis polares e edredão de penas. Os peluches esperam-na sentados, prontos a abraçar. A mãe dava tudo para se deitar no ninho que preparou para a filha, como raio pode ela inventar tantas manhas para não dormir? São umas atrás das outras, todos os dias: tenho fome, quero fazer xixi, um copo de leite, um copo de água, dar outro beijinho ao pai. Não lhe sobram forças para negociar com ela a esta hora da noite. Os jogos em família após o jantar excitam mais a pequena Maria do que a acalmam e Inês já só tem fôlego para experimentar contar-lhe uma história curta. A ver se a entusiasma a ir para a cama com gosto daqui para a frente, sem parecer que está a arrastá-la para a forca.
«Uma história ao adormecer é um misto de ternura, alegria, repouso, encaminhar para o sono e criatividade. E uma excelente oportunidade para, estando a criança já deitada, os pais se abstraírem da intrusiva televisão ou do computador e estarem com os filhos», garante o pediatra Mário Cordeiro, ciente de que dormimos melhor quando nos sentimos seguros. «A presença dos pais, através da voz e dos códigos interpessoais, ajuda a desenvolver a parte emocional do cérebro. Aliás, é engraçado ver que pai e mãe têm geralmente maneiras diferentes de contar a mesma história: as mães seguem mais o livro e não alteram tanto a voz. Os pais inventam e dramatizam, com piadas e vozes teatrais.»
Foi a pensar em crianças como Maria, e nos respetivos progenitores à beira do colapso, que a especialista em sono infantil Filipa Sommerfeldt Fernandes escreveu 10 Histórias Para Adormecer Sem Medos Nem Birras. Há a da mãe girafa que acordava cansada e com o pescoço dorido por dormir toda torta no chão do quarto da filha, que choramingava e chamava por ela a noite inteira. A dos soldadinhos que vivem dentro do corpo do António e não conseguem trabalhar, por ele não dormir como devia. A do Vasco que não queria dormir para continuar a brincar e a viver grandes aventuras com o irmão Afonso – mal sabia ele que é a sonhar, aconchegado na cama, que se tem as mais divertidas.

«Adormecer ouvindo uma voz amada pode ser a melhor sensação do mundo», sustenta a autora, adepta desse momento de qualidade ao final do dia por ser dos poucos que as famílias ainda têm por falta de tempo. «Uma história ajuda a criança a entender as situações por que passa. Ao ser contada pelos pais, com calma, permite que se sintonize com este estado de tranquilidade, dando-lhe grande confiança.»
Melhor do que uma história ao deitar, só mesmo dez, que ainda por cima abordam esta problemática de a criança ter de aprender que é hora de dormir e deve fazê-lo sozinha. «As histórias mais indicadas para contar ao deitar devem ser felizes, ter um pouco de magia e sonhos bons. Acima de tudo, devem ser narradas com amor», sublinha Filipa, para quem os pequenos gostam de saber com o que contam, daí os rituais ajudarem na transição para o sono. «Apressamos demasiado os nossos filhos, o que dificulta o desligar da ficha.» Em vez de algo natural, ir para a cama torna-se abrupto, com más noites e consequências que vão além de se ter sono ou mau acordar.”

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