VISÃO – Quando o Sono fica à porta

O inferno começa ao final do dia. Resistência na altura de ir para a cama, despertares sucessivos e horas a fio sem pregar olho deixam pais e filhos à beira de um ataque de nervos. Pesquisas revelam que as crianças portuguesas andam a dormir menos e mal, com danos na saúde e no rendimento. Há que mudar hábitos, regularizar rotinas – a bem de toda a família

mw-1920

“Já tentei tudo. O que faço agora: dou-lhe gotas para dormir?” Os lamentos e dúvidas das recém-chegadas ao universo da maternidade não é novo, nem o estado emocional alterado, “fora de si”, a lembrar o provérbio “deitar fora a água da banheira com o bebé lá dentro”. O furor com que mães e pais mergulham no mundo digital e partilham, em fóruns e sites, alegrias e dramas parentais e pedem ajuda, sem complexos, é que é inédito. Os tópicos de eleição são as dificuldades em adormecer e o acordar frequente, seguidos dos hábitos de sono. “Por exemplo, o bebé que só dorme nos quartos dos pais”, esclarece Cátia Costa, do site De Mãe para Mãe, que contabiliza mais de 400 mil visitas por mês. Na página Mãe-Me-Quer, a tabela do sono até aos 12 anos (Healthy Sleep Habits, Happy Child, de Mark Weissbluth) está no top das preferências. Os 22 meses de existência do projeto (a página no Facebook supera os ?38 500 gostos) levam a responsável do site, Elsa Lisboa, a afirmar que os pais “não se questionam tanto sobre as rotinas do sono nas idades pré-escolares”, embora nos comentários reconheçam o deitar tardio e a dificuldade em alterar rotinas, dada a “hora a que chegam a casa ao fim do dia.

Lançado no verão passado, o livro 10 Dias para ensinar o Seu Filho a Dormir (A Esfera dos Livros, 166 pág., €15), vai já na 4.ª edição. A autora, Filipa Fernandes, não é médica, mas foi mãe há dois anos e passou pelas agruras da privação de sono e desacertos com os ritmos do bebé. Atingido o limite, encontrou a solução que precisava em poucos dias, graças a uma formação breve sobre treino do sono, em Inglaterra, aberta a profissionais e ao público. Criou uma página no Facebook – Sleepy Time – que, para surpresa sua, atingiu milhares de gostos e muitos pedidos de ajuda. Daí aos convites para escrever o livro e fazer palestras pelo País foi um passo.

Filipa Fernandes não se imaginava a fazer desta experiência um modo de vida, mas, aos 33 anos, dá consultas presenciais e por Skype. Tornou-se “terapeuta do sono” e traça um perfil das queixas mais comuns e do que elas escondem. “Dizem ?’o meu filho é muito enérgico’, ‘tem um feitio difícil’, ‘não gosta de dormir’; o problema é, quase sempre, a falta de tempo e de organização e os filhos percebem isso, querem ficar acordados, os pais permitem porque se sentem culpados.” Sem rotinas nem ajustes nas regras, o sono converte-se num bicho papão: “Tenta-se dar mama, colo, andar às voltas pela casa, como eu fazia… Funciona uma vez e depois não se sai disto.” Se a criança for saudável, estabelecer um programa personalizado de rotinas com a família traz bons resultados. “Os miúdos precisam de dormir e nós também”, lembra. Outro conselho, que se aplica à maioria das famílias que a procuram: “Jantar, banho, mimos e companhia durante meia hora valem mais do que as crianças andarem duas horas pela casa enquanto os adultos tentam fazer mil coisas.”

Leia o resto do artigo aqui

 

Trackback from your site.

Leave a Reply