A Aceitação

Mother with daughter (6-11 months) in living room
A “Aceitação” é tramada.

A aceitação de que temos um bebé “high need” ou “exigente”.

A aceitação de que temos um bebé chorão, que não dorme. Que não come. Que não está bem em lado nenhum.

A aceitação de que é assim que é “ser” mãe. Ou pai.

 A aceitação é tramada.

E porquê?

Porque O PROBLEMA EM ACEITAR É NÃO FAZER NADA PARA MUDAR.

E quando não fazemos nada para mudar, quase sempre perpetuamos comportamentos – comportamentos que não nos deixam felizes.  Ou saudáveis. Ou descansados.

Com o sono acontece muito. Tanto!

 

Hoje, mais uma vez, em conversa com uma mãe tive o seguinte feedback (esta mãe já tinha tido consulta com outra terapeuta de sono e antes de falar comigo, escreveu-lhe dizendo que o pediatra me tinha recomendado e que iria então conversar comigo):

“Sabe, a mim ensinaram-me a aceitação. E nisso, ela (a outra terapeuta) foi fantástica. Ensinou-me a aceitar, aceitar a minha bebé,  a aceitar que tinha uma pequenina muito exigente. (…) Mas eu precisava de mais do que isso. Mais do que conversa bonita sobre “aceitar”. E o que a Filipa me propôs pareceu-me lógico e muito mais fácil do que imaginava. A Filipa foi firme mas carinhosa comigo e indicou-me um caminho. E funcionou. Em poucos dias a minha bebé dormia a noite praticamente toda.”

 

Esta conversa não é nova para mim (mas deixa-me sempre muito feliz!). E confesso que, mesmo sendo último recurso para muitas mães, fico muito orgulhosa porque o que faço FUNCIONA. Não funciona sempre, claro!! Mas funciona na maioria das vezes. E funciona mostrando a estas mães e a estes pais que afinal os seus bebés, aqueles considerados “high demanding”, não eram mais do que bebés cansados. E que um bebé que dorme, é muito menos exigente do que aquilo que se pensa.

 

Eu não tenho medo nenhum em mostrar um caminho. Eu sei que os bebés não são todos iguais. Eu sei que as mães não são todas iguais. Eu sei que não há uma formula. É por isso, exatamente, que falo particularmente com quem me procura e que ao longo dos anos é o “passa-palavra” entre mães, pediatras e educadores e psicólogos que continua a comunicar o meu trabalho. Adequo o que faço a cada pessoa que encontro e tento entender o coração das mães (porque também sou uma e passei pelo mesmo). E quase nunca o coração delas me diz que gostariam de aceitar. Quase todas querem mais e melhor. Para elas mesmas, mas acima de tudo para os seus filhos. E aceitar é apenas resignarem-se… Algo que a maioria não quer fazer.

 

Ainda assim, digo:

A aceitação pode ser maravilhosa. Maravilhosa quando percebemos que já tentámos de tudo e não há nada mais que consigamos fazer para mudar.

A aceitação pode ser maravilhosa quando assumimos que aquilo que temos “até” pode funcionar.

Mas a aceitação é uma treta quando a querem demonstrar a alguém que simplesmente não está feliz nem consegue viver dessa forma.

Dormir não deve ser encarado como um “bem de segunda necessidade”. Dormir é essencial à manutenção da saúde, ao desenvolvimento cognitivo, à capacidade de interação com os outros, ao aproveitamento escolar,  ao bom humor, à harmonia familiar… diria eu até à capacidade da família em manter-se UNIDA.

Quando não dormimos durante muitos meses ou anos todas essas necessidades/ capacidades são relegadas para segundo ou terceiro planos…. e ninguém vive inteiramente feliz se não descansa. Nem nós, nem os nossos filhos que simplesmente não têm os pais que poderiam ter – se descansássemos.

 

Por isso é que a ACEITAÇÃO – embora seja um discurso cheio de flores cor-de-rosa – pode ser tão tramada. Quando aceitamos, não mudamos.

E quando não mudamos podemos não ser mais saudáveis nem felizes.

 

Vale a pena não desistir. Por nós, nunca devemos desistir.

Pelos nossos filhos… muito menos.

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