A Chupeta

chupeta
Ao longo destes anos tenho conhecido muitas mães e pais que me perguntam se está ou não “na hora” de retirar a chupeta aos seus bebés. A pergunta pode chegar devido à insistência do médico de família/pediatra; devido à perspectiva dos pais de já ser “tarde” para usar chucha ou – muito frequentemente – porque retiraram a chucha e agora o pequenino não dorme tão bem.

Como em tantos outros casos, a chupeta é algo que traz consigo alguma polémica. O que aqui vos deixo é, por isso, apenas a minha opinião. Opinião de uma profissional que lida com famílias diariamente há vários anos e a opinião de uma mãe com dois filhos – um que deixou a chucha porque quis pelos 18 meses e outra que é a maior “chuchona” do planeta desde o dia em que nasceu. 🙂

Eu gosto de chupeta. Acredito que é algo que tranquiliza os bebés e os miúdos pequenos e não acho que interfira em nada com a amamentação. Se os pais puderem aguardar as primeiras duas ou três semanas de vida antes de oferecer a chupeta, façam-no. Mas não vejo (e não conheço!) bebés que tenham ficado “confusos” com a maminha por terem usado chucha. Eu sei que há vários estudos que apontam nesse sentido, mas também conheço vários que demonstram não haver qualquer indício dessa “confusão” que depois possa causar prejuízo à amamentação. E, como baseio o que hoje aqui escrevo tanto na minha experiência profissional como pessoal, posso dizer que não acredito numa causa-efeito entre os dois.

A chucha, usada com bom senso (e aqui está obviamente o busílis da questão!) é, no meu ponto de vista, benéfica. Acalma o bebé, ajuda-o a dormir e ajuda-o em momentos de desconforto físico e cansaço. E é, infinitamente melhor, do que chuchar no dedo  – coisa que frequentemente acontece a bebés a quem a chucha é negada ou prematuramente retirada.

Quando os pais me perguntam se devem retira-la nunca respondo com certeza. É algo que varia tanto de criança para criança! No entanto, não estando a danificar a arcada dentária (algo que o médico de família/pediatra/odontopediatra pode confirmar) e não sendo usada constantemente, acredito que não seja algo que devamos pressionar os nossos filhos a deixar abruptamente. É certo que as recomendações apontam para que as crianças a deixem de utilizar aos 2 anos de idade. Ainda assim, há muitos pequeninos dessa idade que não têm ainda a maturidade emocional suficiente para se verem sem o seu objecto de tranquilidade. A “pêpê”, “tuta”, “pipi”, “chuchinha” é importante demais para alguns bebés e crianças pequenas e, ao ser retirada antes de estarem preparados, pode trazer mais desvantagens do que benefícios. Muitos miúdos passam a chuchar no dedo – o que danifica muito mais a arcada dentária e o correcto desenvolvimento dos dentes e até da fala – e outros passam a não conseguir descansar como sempre o fizeram.

Usar chucha pode acalmar e tranquilizar o bebé; pode fazer com que desperte frequentemente (sempre que perde a chupeta) ou pode, quando retirada precocemente alterar a forma como os nossos filhos adormecem e descansam. Como em tudo é preciso equilíbrio e olharmos para o bebé ou criança que temos. Para que depois, e de acordo com aquilo que sabemos ser o melhor, podermos actuar.

Por isso, Calma. Não corram nem os apressem. Ou os profissionais de saúde que seguem os vossos filhotes vos alertam para questões importantes – e aí vale a pena seguir o caminho indicado e confiar no que nos dizem; ou se estão com pressa só porque está na “hora”, relaxem um pouco. Vão desmamando o usa da chucha e sentindo os pequeninos para perceberem se eles estão, ou não, a lidar bem com essa perda.

😉

 

 

 

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