Às mães de 2 (e de 3, 4 ou mais!)

mãe de 2

2º filho… ah e tal, já sei tudo e agora sim, vou fazer “diferente”.  🙂

Quantas vezes olhamos para a nossa primeira experiência enquanto mães e desejamos ter feito as coisas de outra forma?

Ou quantas vezes nos rimos do inexperiente e tolas que éramos?

Preocupadas com coisas simples, aflitas com situações tão fáceis de resolver? E mais… quantas vezes olhamos para trás e pensamos como poderíamos estar tão assoberbadas e sem tempo se era apenas UM? É que, depois de termos o segundo filho, estar com um é o equivalente a estar de férias. Certo?!

Nas minhas consultas e conversas com mães de segunda, terceira e até quarta viagens quase sempre existe este elefante na sala. A de acharem que já saberiam como fazer, mas que afinal este segundo bebé (ou 3º, ou 4º) lhes trocou as voltas. A frustração é maior, o cansaço está acumulado, acabam por não conseguir lidar com os novos filhos da forma como – uma vez mais – imaginaram.

Num segundo filho, somos, na maioria dos casos, mais despreocupadas, mas quase sempre mais reactivas (e no sono nota-se muito): agimos mais rapidamente simplesmente para não incomodar o sono do mais velho!

Hoje escrevo a pensar em nós, mães de mais de um. (não que as mães de 1 filhote não possam ler estas palavras!) 😉

E deixo algumas recomendações – não apenas de profissional que acompanha milhares de mães. Mas sim, de mãe para mãe.

* Fiquem feliz quando está apenas com um filho porque sim, é mesmo como estar de férias! 😉

* Planeiem o vosso final de dia de maneira a dar oportunidade ao mais velho de ser filho único nem que seja por uns 20m (no caso de estarem com bebés pequeninos nos braços e terem um filhote com mais de 2 anos).

* Não recebemos medalhas por termos bebés de parto normal, na água, ou de cesariana programada. Por isso não deixem que a forma como os vossos filhos vêm ao mundo interfira com o vosso estado de espírito porque o essencial é que ele chegue bem e saudável. O mesmo vale para a amamentação. Por favor! Não é um “dever” da mãe nem um “direito” do bebé. É algo maravilhoso se for maravilhoso para os dois.

* Oiçam as pessoas que vos dão conselhos. De ouvidos abertos e atentos e depois filtrem. Pensem se faz sentido. E não deixem que interfira com o que sentem e pensam. Avaliem e não sigam “tendências” só porque é moda.

* Comecem com bons hábitos e rituais desde cedo. Estou mesmo a falar a sério! Deixar andar é muito bonito, mas na realidade poucas vezes funciona. Os bebés nascem sem considerar minimamente o que é o dia e a noite. Podemos encaminha-los calma e progressivamente para um padrão de dia para que eles o vão seguindo e organizando – alguns mais “certinhos” outros menos –, permitindo assim que também as mães e os pais e os filhos mais velhos se organizem. Seguir um padrão (não de forma militar, pois claro!) ajuda-nos também a perceber o que se passa com os nossos filhos e a descodificar mais facilmente se estão com fome, com sono ou desconfortáveis.

* Não tenham medo de falar com o médico de família/pediatra. Nem vergonha. E de procurar um novo se sentirem que não estão a ser levadas a sério. Se é verdade que muitas mães são demasiado preocupadas e acabam por procurar os médicos por questões simples, na realidade muitas mães não são ouvidas e vão tendo como resposta “é normal”, “é uma fase” ou “os bebés são mesmo assim”. Se sentirem que há algo de “errado”, insista. Sem medo ou vergonha.

* Não comparem os vossos bebé aos outros. Nem ao filho mais velho. Quando ambos tiverem 10 anos já ninguém se lembra quem andou primeiro, quem deixou a chupeta com 1 ano e quem usou fraldas até aos 3.

* Não fiquem tristes se os irmãos não se dão logo bem. Ou se quase nunca se dão bem. Deixem-nos conhecerem-se. Dêem-lhes oportunidade para criarem laços e fazerem coisas juntos e divertidas. Eventualmente serão os melhores amigos do mundo. Ou não! 😀 Mas são vossos. Os dois. Ou os 3. Todos.

* Não sejam reactiva com o sono. Sei que terão essa tentação pois ter dois miúdos acordados a meio da noite é o pior pesadelo de uma mãe e de um pai! Mas se forem reactivos ao segundo, pairando sobre ele como um helicóptero sempre que ele soltar um suspiro mais longo, vão acabar por condicionar o sono do pequenino e acho que num futuro próximo não vão gostar nada do resultado.

* Não achem estranho já não se lembrarem de nada! A natureza é perfeita e faz-nos esquecer mesmo que estejamos no 3 ou 4 filho. Cada filho é único e deve ser vivido como um milagre e uma bênção daí não nos lembrarmos. Tudo deve ser sentido e vivido como se fosse a primeira vez.

 

Mesmo que o primeiro tenha dormido sempre muito bem e o segundo já não o faça, não pensem que a “culpa” é vossa. Os nossos filhos vêem ao mundo mostrar-nos que são capazes de dar a volta ao nosso mundo! Por mais organizado que ele esteja.

 

 

 

 

 

 

 

 

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