“Manhas”, não. Aprendizagem.

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Ouvimos desde cedo que os nossos bebés  “ganharam manhas”, não é? Não importa muito o que fazemos pois enquanto mães somos alvo fácil de quase todas as teóricas dos bebés: as amigas, sogras, mães, vizinhas “sabe-tudo” que nos apontam, quase sempre em jeito de crítica, quase tudo o que fazemos ou não fazemos com os nossos filhos (repito: NOSSOS). E sim… há sempre quem venha comentar – assim que o nosso bebé se tranquiliza no nosso colo – que já é um “manhoso” e que já “sabe o que quer”.

Não acredito em manhas. Ou melhor!! Acredito que há muita gente manhosa por aí!  Mas não coloco os nossos bebés ao seu nível.
No meu trabalho defendo que, na maioria dos casos, os pequeninos devem conseguir adormecer de forma independente e autónoma (sem que para isso sejam deixados num quarto escuro sozinhos a chorar!) pois percebo bem as vantagens que essa aprendizagem traz ao sono. Mas não encaro os bebés como seres manipuladores ou manhosos. Muito menos na parte do sono.
O que sim acredito piamente é que os bebés e as crianças pequenas são pessoas.
E como pessoas que são APRENDEM connosco.
E quando, desde sempre, aprendem que para dormir precisam da nossa ajuda é perfeitamente natural que continuem a precisar dela. Não porque são manhosos.

Mas porque nós assim os ensinámos.

E porque, connosco, não conhecem outra realidade.
Porque é que um bebé com 14 meses precisa sempre do colo da mãe ou do pai para adormecer e volta a precisar do mesmo várias vezes durante a noite e na sesta da escola adormece tranquilamente sozinho e dorme sestas longas (algo impensável em casa)? Porque diferentes pessoas lhe ensinaram diferentes formas de fazer a mesma coisa.
Da mesma forma que na escola comem a sopa sem pestanejar e em casa é preciso montar um circo para eles abrirem a boca.
Os bebés são pessoas pequeninas. Não são extensões do nosso corpo. Não são seres “à parte” que não têm vontade própria. Aprendem que, consoante as pessoas, se comportam de diferentes formas pois tudo depende daquilo que nós – os crescidos, os supostamente responsáveis por eles – lhes ensinam.
Acreditar que um bebé é capaz de aprender a adormecer de forma independente e sentir-se seguro com isso não é defender que os bebés são seres manipuladores ou cheios de manha.
É defender que os bebés são pessoas, com capacidade para conseguirem fazer o seu caminho pela autonomia, com a segurança e felicidade de sentirem que os pais estão sempre próximos, amparando, mas não fazendo por eles.

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