As super-mulheres que somos

supermom

Ontem, no final de mais uma consulta, fiquei na conversa com uma mãe. Dizia-me – como tantas vezes oiço – que tinha voltado ao trabalho e que despertar várias vezes por noite a estava a deixar louca.

Que se sentia um ET pois quando assumia perante as colegas que estava de rastos não sentia qualquer empatia do outro lado – quase como se estar exausta tivesse de ser a sua normal forma de vida agora que era mãe.

Entre cuidar e amar a sua filha, adaptar-se a uma realidade diferente, amamentar, regressar ao emprego (bastante frenético e exigente) ela não percebia onde estava o espaço para continuar a sentir-se mulher, filha, irmã e amiga.
É algo que oiço muitas vezes. Sobre o qual converso recorrentemente. E que também sinto. Ser Mãe hoje em dia é tão mais difícil do que “antes”. As transformações pelas quais passamos depois de sermos Mães são mesmo difíceis de encaixar. É um turbilhão de emoções, uma avalanche de sentimentos – tantas vezes contraditórios – onde o Amor domina mas é pontuado por incerteza, frustração, impaciência e cansaço.
O tempo deixa simplesmente de ser nosso e os dias passam a ser comandados por aqueles seres pequeninos que apareceram e em segundos se apoderaram das nossas vidas.
Mas a verdade é que todas estas emoções deverão também ter sido vividas pelas nossas Avós e pelas suas mães antes delas.
A grande dificuldade da maternidade hoje em dia é que não somos só Mães que estão em casa para cuidar, nutrir, amar. Na grande maioria dos casos isso não é possível. E em grande parte dos casos, não queremos “apenas” isso para as nossas vidas.
O Filho é a concretização de muitos sonhos, a melhor e maior obra da nossa vida, mas muitas de nós querem também o “resto”.
Além de tudo isto, ser Mãe hoje em dia é ainda mais difícil porque somos mães “modernas” – as que saem de casa para se realizarem profissionalmente, as que querem continuar a ter amigos, a estar sexy para os maridos e a serem as melhores mães do mundo – mas somos pressionadas para fazer as coisas como as “mães de antigamente”, amamentando até aos 2 anos, parindo o mais naturalmente possível e estando presentes em todos os momentos marcantes do dia dos nossos filhos.
Quando temos tanta pressão em cima, algo acaba por cair. Pelo que converso com tantas Mães, o que percebo é que somos mesmo Super-Mulheres.
Não deixamos cair nada à nossa volta. A não ser a nós próprias

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