Carta às Mães Bullies da internet

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Querida Mãe,

Rezo para que nunca passes pelo que passei. Mãe de primeira viagem com um bebé pequenino nos braços que não dormia NADA e sem saber o que fazer. As semanas transformaram-se em meses de lágrimas, frustração, culpa e depressão.

O meu marido saiu da nossa cama e do nosso quarto porque não aguentava mais os despertares constantes do nosso bebé. Eu passava a noite em claro… sempre que estava prestes a adormecer, era despertada pelo choro do meu filho que, mesmo ali junto a mim, não conseguia manter um sono tranquilo.

Bati no fundo. E ainda assim, eu sorria sempre que alguém me perguntava como tudo corria. E ainda assim eu dizia que “está tudo bem”. Sentia que tinha falhado como mãe, que não correspondia àquilo que eu deveria ser, pior… que não tinha sequer instinto pois tudo o que sentia que deveria fazer com o bebé acabou por não resultar.

Odiava-me frequentemente. Outras vezes quase odiava o meu bebé… e claro, passava a odiar-me ainda mais nessas alturas por sequer pensar ou sentir algo assim. Não me interpretes mal (se bem que tu sempre o irás fazer), eu Amo o meu filho mais do que tudo na vida, mas houve alturas em que simplesmente já não conseguia suporta-lo quando começava a chorar… outra vez. Ou quando me acordava de noite…outra vez.

Pedi ajuda quando ninguém estava a olhar. Não queria que os meus amigos e a minha família soubessem que não estava a conseguir lidar com o meu filho e que não sabia ser mãe. Procurei conselhos em diferentes sítios e claro, recebi informação tão contraditória que simplesmente não me ajudou nada. Só me fez sentir pior. Fui envergonhada por profissionais de saúde porque tentei dar LA ao meu bebé para conseguir ter uma pausa para mim, com a expectativa de que assim ele dormisse melhor. Sofri de bullying na net por parte de outras mães porque eu queria “ensinar” o meu filho a dormir quando o que eu deveria estar a fazer era a responder a todas as suas necessidades de forma instintiva. Propunham que eu fizesse exatamente o que estava a fazer, mas connosco não resultava. Diziam-me que não deveria fazer outras das coisas que eu tentava fazer. Mas não me apontavam opções. Diziam-me que eu deveria ouvir o meu filho. Mas na realidade, meses depois eu ainda lutava para entender o que queria afinal o meu bebé. Era a primeira vez que era Mãe e não sabia sê-lo. E sim, ao receber criticas, sentia-me cheia de vergonha.

O relacionamento com o meu marido estava a sofrer. Eu e ele estávamos tão cansados e privados de sono que tentávamos apenas manter-nos a funcionar enquanto seres humanos. Um casal, nós? O que era isso? E eu olhava à minha volta e pensava que isto não poderia ser assim com toda a gente. Caso contrário como aguentariam? Mas só ouvia “é normal”, “é só uma fase”, “um dia ele vai crescer”, “confia nos teus instintos”…. só que eu achava que não tinha instintos.

No meio das conversas que me faziam sentir mal, havia sempre quem me aconselhasse a procurar ajuda para ensinar o meu filho a dormir. E claro, quem dizia que isso era quase um crime! E depois de muitos meses de desespero fui procurar como o fazer. A medo. Cheia de culpa. Sem saber como o faria. E encontrei o que precisava. Conversando com outras mães que acreditavam no mesmo encontrei uma comunidade. Senti-me acolhida. Entendi o que se passava. E sim, o meu filho começou a dormir melhor e a ser mais previsível. E nem sequer foi complicado ou difícil como imaginara. O meu bebé tornou-se mais alegre e bem disposto. E eu também. E finalmente comecei a usufruir e a viver a maternidade na sua plenitude.

Mas aí as criticas voltaram novamente sempre que eu expunha o que tinha feito para melhorar a nossa vida. “deixar o teu bebé a dormir sozinho é maus tratos”, “os bebés não precisam de horários nem de rotinas” … mesmo quando eu explicava que não tinha sido nada complicado, que éramos agora muito mais felizes.

E eu percebi que convosco, Mães Bullies, simplesmente não se pode ganhar. Independentemente do que se faça, é-se criticada. E é-se criticada sem quererem saber o que sentimos ou que já tentámos fazer. É-se criticada mesmo que se tenha um bebé saudável e muito mais feliz e descansado. Mas eu agora estou bem, sã, e por descansar consegui também recuperar os laços com o meu filho de uma forma que nunca teria sido possível se não o tivesse ensinado a dormir. E por isso, as vossas vozes já não me incomodam.

A minha pergunta para vocês, Mães Bullies, é…porque criticam outras mães quando elas estão no seu ponto mais frágil? Como sabem o que é melhor para mim e para a minha família se nem me conhecem? Porque as minhas opiniões enquanto mãe vos afectam e importam tanto?

Não há sentido de comunidade hoje em dia. E vocês, aquelas que estão sempre a dizer que é preciso pedir ajuda, seguir o instinto, esperar, são exatamente as mesmas que criam guerras e ódios mesquinhos e que mandam abaixo outras mães.

Deixo-vos um conselho sem ser pedido: se não têm nada de positivo a dizer, talvez seja melhor ficarem caladas. Sejam felizes com as vossas escolhas e deixem outras famílias serem felizes com as delas.

 

Um abraço a todas,

Uma Mãe como vocês

 

 

PS: Esta “carta” não foi escrita por uma mãe. É fictícia. Mas é resultado de conversas de coração aberto com muitas mães que passam pelo mesmo. E que tal sermos mais tolerantes?

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