Diário de uma Mãe Stressada com o Sono

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Vamos para o quarto. Pensamos “será hoje que isto vai correr bem”? Num misto de ansiedade e pânico, carregamos o nosso bebé connosco.

O ambiente está o mais relaxado que conseguimos: pouca ou nenhuma luz no quarto, um silêncio sepulcral. Damos maminha e rezamos, muito baixinho, para que o bebé adormeça.
Adormeceu enquanto mamava. Ufa
Para nos certificarmos que está mesmo a dormir permanecemos imóveis com ele no colo exatamente na mesma posição em que adormeceu. As maminhas ao léu, o bebé encostado a nós a transpirar.
Estamos com fome e pensamos no jantar que nos aguarda “lá fora” quando conseguirmos sair do quarto. Passados uns minutos pegamos com todo o jeito que temos e colocamos, quase sem respirar, o nosso filho na cama. Mas ao tocar nos lençóis, ele desperta. Abre os olhos como se tivesse sido picado por espinhos invisíveis e chora. Respiramos fundo e agimos imediatamente, para nem lhe dar tempo de despertar mais. Embalamos, cantamos, fazemos ”shh” até ficar sem fôlego.
Adormeceu.
Como lemos algures que eles devem estar em sono profundo quando os colocamos na cama esperamos que o bebé tenha os bracinhos pendurados – sinal de que estará mesmo a dormir. Aguentamos 20minutos e a fome continua a apertar.
Na segunda tentativa o bebé fica no berço. Mas ao sairmos do quarto – em ninja style – ele desperta. Chora. Voltamos a pegar-lhe. E damos maminha mais uma vez. Ele adormece. E voltamos a colocar na cama.
Entretanto o nosso marido já jantou e nós vamos comer a correr esganadas de fome e a olhar para o relógio porque começámos o countdown até o próximo despertar.
Quando vamos para a cama dormir (ou tentar) sofremos por antecipação e ficamos nervosas porque os minutos estão a passar e nós ainda não estamos a dormir e ele vai acordar mesmo quando estivermos a entrar no sono profundo.
E durante a noite ouvimos o nosso bebé chorar várias vezes. Somos sempre atingidas por um camião invisível, daqueles que carregam troncos de madeira bem pesados.
Saltamos da cama e vamos ter com o nosso filho: aquele Amor pequenino que durante a noite nos tira do sério.
E recomeçamos a dança do embala, faz “shh”, damos maminha e pousamos. A meio da noite levamos o bebé para a nossa cama na esperança de que, aninhado em nós, ele durma. Ficamos com o braço e o ombro dormentes pois permanecemos imóveis, viradas para o lado dele. Mas mesmo assim ele acorda e nós voltamos a “dançar”.
O dia recomeça. Temos olheiras marcadas. Um sono que não nos larga. E precisamos de café com urgência. Acordamos zangadas. Irritadas. Mas depois olhamos para eles.
Sorriem-nos. Desdentados.
E o nosso coração derrete. E o Amor invade-nos.
E sabemos que a noite ainda vai demorar algum tempo a chegar.

Há por aí mães que se reconheçam nesta “dança”?

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