Este é o mundo perfeito?

dormir

É certo que há crianças e bebés que não dormem por questões físicas que lhes afectam o sono. Outros que podem não dormir bem durante um período específico por questões emocionais (estar menos tempo com os pais, mudar ou entrar para a escola, perder um familiar próximo), por desconfortos físicos (doenças, nascimento de dentes) ou até por determinadas fases de desenvolvimento (ansiedade da separação ou pesadelos).
Mas, a maioria dos pequeninos que não dorme bem, normalmente não descansa por questões comportamentais. Porque nós ensinamos-lhes que para dormir é necessário algo que eles não têm ou porque, por vezes, não lhes damos estrutura e tranquilidade no seu dia-a-dia. No fundo, é quase uma questão de educação. Nós habituamos os nossos pequenotes a determinados comportamentos que quase sempre estão relacionados com duas questões pelas quais todas as mães passam.
1. Nenhuma de nós quer dizer “não” ao nosso filho e enfrentar o seu choro. Seja no sono quando temos de dizer que “já não aguento mais acordar 8 vezes por noite para te embalar aos 20 meses”, seja no período de refeição para dizer que “podes chorar à vontade porque o prato tem mesmo brócolos que é suposto comeres. E não, não te vou dar ovo mexido com salsicha pela 7ª vez esta semana embora seja exatamente isso que te vai calar”. Temos esta pressão gigante em cima de nós de que o choro é algo terrível (e é!) e de que é melhor ceder ao que o nosso filho quer do que “obriga-lo” a fazer algo que nós sabemos ser o melhor para ele.

2. Todas nós temos pressa e, consequentemente, pouca paciência. OK… não somos “todas” mas a “maioria”. Há algumas mães mais estoicas que aguentam mais tempo, que tentam mais tempo, mas quase todas acabamos por ser engolidas por aquele vórtice infernal de tarefas que nos impede de continuar a tentar, de insistir e de manter tudo na linha.
É perfeitamente normal! Temos vidas stressantes, repletas de atividades e com várias pessoas que dependem de nós. Ficar por um longo tempo à mesa à espera que o nosso filho abra a boca para comer sem vontade e com alguma rabugice a cenoura cozida que tem no prato é, por vezes, exasperante. Ficar 1h junto ao nosso filho à espera que adormeça, tranquilizando-o mas não lhe dando aquilo que o faz adormecer, também. Por isso, no dia-a-dia o que queremos são as fórmulas fáceis, aquilo que sabemos que funciona. É desculpável. É compreensível. Mas, normalmente, passado algum tempo simplesmente não dá bom resultado. Nem na cama nem na mesa.

Por vezes leio que se uma mãe se sente assim é porque precisa de ajuda. É porque a nossa sociedade não nos permite o luxo do tempo. É porque simplesmente precisa de um par extra de mãos ou de um abraço. É uma ideia perfeita. Daquelas que pertence àquele mundo perfeito onde nem todas temos a sorte de viver. Quase todas as mães cansadas já pediram ajuda, quando o podem fazer. Algumas, infelizmente, podem até não receber os abraços ou o carinho que deveriam. Mas quase todas tentam de tudo para não colapsar. Simplesmente o mundo em que vivemos é mesmo este. É um mundo apressado, cheio de atividades e desafios.
Temos de compreender e aceitar que as mães não estão cansadas porque querem. Estão cansadas porque hoje se exige demais de cada uma de nós. Por isso, simplesmente devemos viver o melhor que sabemos com o que é a realidade. E a realidade é que muitas vezes oferecemos 4 biberões de leite à noite ao nosso filho de quase 2 anos porque simplesmente sabemos que isso o fará calar e voltar a dormir por mais 2 ou 3h.
Há formas de alterar tudo isto. Está nas nossas mãos. É preciso paciência, consistência e muito amor. É preciso respirar fundo e ter consciência de que nem sempre o que nos dizem que “é normal”, que “passa com o tempo” e que “um dia resolve-se por si” de facto acontece.
Por vezes (muitas vezes) somos nós os agentes da mudança. Somos nós que temos de ganhar de novo o controlo para conseguirmos melhorar a nossa vida.

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