Head Banging e outros movimentos “estranhos”

head banging

Algumas crianças têm alguns comportamentos noturnos bastante estranhos e deixam os pais naturalmente preocupados. Podem abanar a cabeça para um lado e para o outro ou até bater com ela repetidamente contra a parede ou contra a cama.

O Joaquim, por exemplo, tinha 2 anos e um desenvolvimento normal para a idade quando a mãe me consultou. Aos 7 meses começou a abanar a cabeça no berço para um lado e para o outro por uns 15 minutos antes de adormecer. Com o passar do tempo começou a bater com a cabeça contra o berço com força todas as noites antes de dormir. Nas semanas que antecederam à consulta, o Joaquim começou a ter o mesmo comportamento ater também durante a noite. Dependendo da noite, podia fazê-lo uma ou duas vezes por uns 5 minutos. A força era tanta que o pequenote chegava a movimentar o berço com as pancadas! Os pais já tinham colocado almofadas protetoras à volta da cama, mas o Joaquim descobria sempre um local duro e livre da proteção das almofadas para bater com a cabeça.

Se o seu filho tem um comportamento semelhante ao do Joaquim, consigo entender perfeitamente a sua preocupação. Mas, na verdade, raramente há motivos para isso. Muitas crianças pequenas apresentam este tipo de comportamento na cama. Abanam o corpo para trás e para a frente, abanam a cabeça para os lados, batem com ela ou deixam-se cair de cabeça – repetidamente – contra o colchão.

As crianças que “sofrem” de head banging ou de outros movimentos rítmicos fazem-no, na maior parte das vezes, enquanto adormecem. Mas também há casos de pequenotes que o fazem durante a noite, sempre que despertam, ou durante o dia nas sestas.

Quando uma criança bate com a cabeça à noite está geralmente quase a dormir ou num estado de sono muito leve e esse comportamento para quando ela adormece. Apesar de serem episódios assustadores e até um pouco bizarros, não são motivo de qualquer preocupação se a criança não manifestar nenhum sinal de problema de desenvolvimento. Bater com a cabeça é tão natural do desenvolvimento infantil quanto chuchar no dedo ou na chupeta (se pensar bem, também o chuchar é um movimento rítmico). 

head banging é bastante mais frequente nos rapazes, mas o abanar de cabeça, por exemplo, aparece tanto em rapazes como em meninas em igual medida.

Os movimentos com a cabeça podem surgir associados ao desconforto do nascimento de dentes, por exemplo, e acabar por desaparecer quando o desconforto também desaparece. Ou podem surgir associados a um salto de desenvolvimento como o aprender a andar. Mas, na maioria dos casos, é algo que surge sem razão aparente e que acompanha a criança durante algum tempo.

Ouvir o nosso bebé bater repetidamente com a cabeça na cama pode ser um verdadeiro pesadelo. Muitas vezes, até fazem barulhos a acompanhar o movimento, o que ainda nos fere mais o coração. Mas apesar de parecer algo perigoso, as crianças que são normais do ponto de vista neurológico não se magoam durante este processo. Podem aparecer algumas nódoas negras, mas raramente há concussões ou fraturas.

Se o bater com a cabeça do seu filho começar a ser algo que, de facto, a incomoda muito – principalmente nos casos em que o processo é diário e prolongado (mais de 20minutos) – então pode começar a tentar minimizá-lo. Como? Desconte o tempo que o seu filho normalmente demora a adormecer (enquanto bate com a cabeça), deitando-o mais tarde. O objectivo é que ele vá mais cansado para a cama, precisando de pouco ou nenhum tempo para se acalmar para adormecer, reduzindo assim o head banging. Com o tempo ele vai perceber que consegue adormecer sem o movimento e pode começar a antecipar a hora de deitar pois ele já não precisará tanto de bater com a cabeça para se auto-acalmar e dormir.

Os movimentos rítmicos não costumam refletir nenhuma dificuldade emocional ou doença neurológica, particularmente se seguirem o seu padrão usual: o de surgirem antes dos 18 meses e de desaparecerem até aos 4 anos. A grande maioria das crianças com este tipo de hábito é saudável, não apresenta problemas físicos ou mentais e não vive num seio familiar onde haja qualquer tipo de tensão pouco comum.

Por isso, se o seu filhote se desenvolve de forma perfeitamente normal, não há razões para se preocupar.

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