O mundo real não é perfeito

Happy-Mother-And-Happy-Baby-In-The-Bed
Não; no início da maternidade as coisas nem sempre são tão cor-de-rosa quanto nos pintam.
Não; nem sempre é fácil.
Não; nem sempre um filho une mais o casal.
Não; não há que ter vergonha em dizê-lo.
Não; não acreditem que o vosso filho é o único que não dorme ou não come bem ou que passa o dia e a noite a chorar.

Se soubessem a quantidade de mães que me escreve com este “peso” em cima! Frustradas por não conseguirem entender os filhos. Tristes por saberem como fazê-los dormir melhor, descansar mais. Mães que se sentem culpadas por se sentirem fartas, cansadas e saturadas. Porque sentem que não têm “instinto” ou porque andam a tentar segui-lo há muito tempo, mas tudo acaba por funcionar “ao contrário”.

É verdade que os filhos – ainda que muito, muito amados – podem ser aborrecidos, chatos, rabugentos e dar uma volta à nossa vida que não imaginámos ser possível. É verdade que podem abalar o nosso relacionamento. É verdade que por vezes temos vontade de os deixar por uns dias em casa de uma avó para dormirmos até às 11h da manhã e fazer ronha – mas quando o fazemos acabamos por não saber o que fazer às horas a mais que temos pela manhã ou morremos de saudades e já estamos a bater à porta da avó às 9h30. É verdade que por vezes rebentam com a nossa paciência. É verdade que por vezes não estamos sintonizados. É verdade que podem não estar em harmonia connosco e não, não devemos sentir-nos mal por isso só porque eles saíram de dentro de nós (e por isso, por essa única razão, TEMOS de nos entender).

Os nossos filhos são o mais “NOSSO” que existe. São o nosso princípio. São a nossa eternidade. A nossa garantia de vida, mesmo depois da nossa morte. Os nossos filhos são maiores do que nós. Maiores do que a soma de MÃE+PAI. Porque são NOSSOS, mas também são ELES. Eles próprios.

E por isso mesmo há momentos de desencontros. De desunião. De desarmonia. Um bebé que não dorme pode fazer uma Mãe (e um Pai) sentir isto de uma forma muito clara. Por senti-lo – ainda que com muita culpa e vergonha – não significa que amemos menos. Que sintamos menos.
Num mundo “perfeito” (a perfeição é algo muito diferente para cada pessoa e depende do contexto em que se usa, mas bem…) mãe e filho estão sintonizados a um ponto em que o contacto físico entre eles os conforta e acalma. No mundo real, muitos filhos não se acalmam com o contacto físico com a mãe.

No mundo “perfeito” os filhos dormem lindamente se encostados à Mãe e ela dorme lindamente com o filho por perto. No mundo real, há muitos filhos que não dormem bem junto das mães e muitas mães que não conseguem dormir junto dos seus filhos.

No mundo “perfeito”, Mães e filhos estão juntos 24h/7, os bebés são carregados junto ao corpo da mãe e comem e dormem quando querem, num comportamento semelhante ao que teriam no útero materno. No mundo real, as Mães trabalham, têm responsabilidades e tarefas. Têm maridos. Amigas. Outros filhos. Vontades e desejos.

Por isso, Mães: não tenham vergonha. Os vosso filhos não são os “piores”. Os que dormem mal. Os que não comem. Não se sintam culpadas pelo cansaço. Não desanimem. Pelo contrário. Encontrem forças em vocês para procurar o equilíbrio. Aceitem a verdade dos vossos sentimentos e procurem uma alternativa para conseguirem viver de forma ainda mais plena esta aventura e milagre que é a maternidade.

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