O que é ser uma Boa Mãe?

good mother

“Como ser uma boa mãe?” (uma pergunta que oiço quase todos os dias das bocas das “minhas” mães).

Não há receitas nem regras universais. Já sabemos disso. E aquilo que me faz feliz enquanto mãe pode ser diferente daquilo que faz outras mães felizes. Isto é certo.
Ainda assim, acredito que haja pontos que tocam a quase todas as mulheres que embarcaram na Aventura da maternidade.
Ao longo destes últimos anos vou encontrando uma tendência (que reconheço em mim própria) para abdicarmos de nós próprias, da nossa felicidade, do nosso equilibrio, do nosso descanso.
Na verdade até acho que é normal.
Quem é mãe entende isto, certo? O sentimento avassalador que se tem por um filho, o amor incondicional que sentimos, o peso enorme da responsabilidade que sentimos, o querer dar-lhes todo o tempo, todo o amor, toda a atenção faz com que nos esqueçamos de nós.
Podemos faze-lo sem o notar ou porque assim o queremos ou porque a sociedade assim o “obriga” visto ser o” esperado” de uma mãe. É natural e não importa propriamente o porquê.

Mas a verdade é que quando anulamos as nossas necessidades acabamos frequentemente menos felizes.
E se há cliché que é verdade é que os pais famílias felizes criam crianças felizes.
As necessidades podem ser diferentes de pessoa para pessoa. Mas há algumas sobre as quais converso muito com as “minhas mães” nas consultas e que percebo a falta lhes fazem. Dizem-me frequentemente que sentem falta de ter tempo para elas mesmas. De dormirem. De descansarem. De comerem refeições saudáveis e não apenas de rasparem os pratos dos filhos. De tomarem um banho demorado e não apenas se passarem por água. De lerem um livro. De passearem sozinhas. De viajar. De namorar.
Para a maioria das mães que me procura, necessidades básicas como o “Dorme” ou “alimenta-te bem” são praticamente uma miragem. Isto porque passaram demasiado tempo a acreditar que não dormir depois de se ser Mãe é “normal”, que 2 anos sem uma noite completa é o “ritmo da criança”, que o filho passa 10 meses num pico de crescimento constante ou que se é assim nas tribos e no tempo das cavernas então é porque está correcto.

Ser Boa Mãe é muito mais do que aceitar que não se dorme uma noite completa durante anos.
Ser Boa Mãe é muito mais do que aceitar que nunca mais jantamos a dois ou vemos um filme.
Ser Boa Mãe é muito mais do que nos anularmos.
É muito mais do que viver o discurso do “se não querias trabalho, não tinhas filhos”. Oiço por vezes ecos de conversas em que se chama de egoísta (e de outras coisas bem piores) a quem é Mãe, mas também quer ser outras coisas.

Ser Boa Mãe é amar sem tamanho, ficar com o peito a rebentar quando eles estão felizes, orgulhar-se das suas pequenas vitórias, fazer figuras de tolinha sem nos importarmos minimamente enquanto brincamos.

É cuidar. Proteger. Mimar. Abraçar. Mas é também continuar a lutar por se ser feliz enquanto Pessoa, e não só enquanto Mãe.
Pois esse é, pelo menos na minha opinião, um dos ensinamentos mais valiosos que passamos aos nossos filhos e que vamos querer que no futuro nos sigam o exemplo.

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