Sobre o TEMPO

Print

Há vários anos que muitas, muitas famílias me deixam entrar nas suas vidas. Fazem-no quando me contam os seus dias, quando me descrevem como se adormece lá em casa, como se zangam, como ficam ansiosos… fazem-no quando me confidenciam coisas que normalmente não dizem em voz alta. E eu não julgo.
Escuto.
O sono dos nossos filhos (ou a falta/dificuldade dele) pode ter muitas causas. Quase nunca é algo linear e muito fácil. Está muitas vezes relacionado com desenvolvimento, com saúde, com rotinas, com sono diurno, com a forma de adormecer.
Mas muito também com TEMPO.
E o TEMPO é um bem escasso e que se torna ainda menos nosso depois de sermos mães e pais.

Há muitos pequeninos por aí que têm muito pouco tempo de mãe e de pai. A solução não está em dizer aos pais “mude de vida” ou “deite o seu filho à hora certa mesmo que isso implique não estar com ele”.
A solução está em ajustar o pouco tempo que temos para que este se torne em tempo de qualidade.
Tempo de verdade.

Fala-se muito que os nossos filhos precisam de colo. Normalmente diz-se isto como um argumento que valida que ensinar a dormir é errado. Eu defendo algo diferente.
O colo é essencial. Imprescindível. Colo: sempre.
Mesmo quando já não nos cabem nos braços.
Mesmo quando já são maiores do que nós.
Mas o colo tem de ser deles (e nosso) durante o dia. Os nossos filhos têm de estar atestados de colo. O balão deles tem de estar cheio. É redutor (tão redutor!!) assumir que se dá colo para dormir. Aliás, se queremos que os nossos filhos durmam bem, descansem bem, o coração deles tem de estar apaziguado, calmo e tranquilo. E sim, cheio de colo, cheio de Amor, cheio de TEMPO.

Mas infelizmente, o tempo foge-nos. E hoje, apressamos os nossos filhos no final do dia para que cumpram todas as tarefas necessárias: jantar, arrumar cozinha, preparar roupa, dar banho… que o tempo para o colo, o tempo para encher o coração não existe. E depois, no momento do adormecer, queremos dá-lo. Nós queremos e precisamos desse momento. E eles também.

Não sei qual é a solução. Até porque a solução deve estar numa mudança de estilo de vida. Numa mudança de prioridades. Mas essa mudança é tão difícil (a tantos níveis) que se adia. E o TEMPO passa.

“Eu sei que a vida tem pressa que tudo aconteça sem que a gente peça.
Eu sei que o tempo não pára, o tempo é coisa rara
E a gente só repara quando ele já passou.
Não sei se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
Para olhar para ti.”

Trackback from your site.

You might also like

Leave a Reply